Embora seja um termo popular, não se refere a uma única norma nacional, mas sim um conjunto de legislações federais, estaduais e municipais que estabelecem limites de ruídos em diferentes horários e situações.
Só em São Paulo, são 118 reclamações de poluição sonora por dia, de acordo com dados da Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSub).
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Entender como funciona a legislação é essencial para evitar multas, processos e conflitos com vizinhos.
Neste guia, você tira suas principais dúvidas sobre o tópico:
- o que é a Lei do Silêncio;
- se existe horário de barulho permitido;
- como funciona se o barulho é durante o dia;
- o que acontece com quem desrespeita a lei;
- o que são decibéis;
- qual o nível de decibéis permitido por lei;
- quais são os níveis de decibéis permitidos por região;
- se pode fazer barulho em apartamento;
- como a Lei do Silêncio se aplica em condomínios;
- até que horas pode ouvir música alta no condomínio;
- qual o papel do síndico na aplicação da Lei do Silêncio;
- quando o síndico deve intervir em reclamações de barulho;
- como denunciar barulho excessivo na vizinhança;
- quais são as melhores dicas para não desrespeitar as normas de silêncio.
Vamos lá?
O que é a Lei do Silêncio?
A Lei do Silêncio é um conjunto de normas que regula os níveis de barulho permitidos em áreas residenciais, comerciais e públicas. Seu objetivo é proteger o sossego e a saúde da população, assim como permitir lazer com uso de som. As regras definem limites de horários e decibéis.
A base legal segue:
- diretrizes estaduais: que variam conforme a região;
- Normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas): a NBR 10.151 e a NBR 10.152 estabelecem os níveis de ruído aceitáveis em áreas residenciais, comerciais e industriais;
- a Lei de Contravenções Penais: o Decreto-Lei nº 3.688/1941 pune a perturbação do descanso alheio, seja com gritaria, instrumentos sonoros ou animais barulhentos;
- o Código Civil: a Lei nº 10.406/2002, artigo 1.277, assegura ao proprietário ou possuidor de imóvel o direito de impedir que vizinhos causem interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde.
Em resumo, essas regras proporcionam harmonia entre diversão e tranquilidade, para cada indivíduo poder usufruir de seus ambientes sem prejudicar o conforto e a qualidade de vida de outros.
Existe horário de barulho permitido?
A maioria das legislações municipais estabelece que a emissão de ruídos em áreas residenciais deve respeitar limites específicos no período diurno, entre 7h e 20h, e regras mais restritivas à noite. Fora do horário comercial, a fiscalização é mais rigorosa e o descumprimento pode configurar infração.
Algumas cidades, como São Paulo, adotam ainda horários intermediários, com normas específicas para fins de semana e feriados. Eventos autorizados (como festas de rua ou comemorações públicas) também podem ter exceções mediante licença prévia da prefeitura.
Vale destacar que não existe horário de barulho permitido de forma irrestrita. Mesmo durante o dia, é preciso respeitar os limites. Entenda a seguir!
Como funciona se o barulho for durante o dia?
Muita gente acredita que só existe problema quando a intensidade sonora acontece à noite, o que não é verdade. Durante o dia, sons altos também podem ser considerados violação das regras caso ultrapassem os limites de decibéis definidos pela legislação regional ou normas do condomínio.
Por exemplo:
- reformas em apartamentos são permitidas somente em horários determinados pela convenção do prédio;
- máquinas, equipamentos ou veículos que produzam ruídos excessivos costumam receber multas da fiscalização municipal;
- músicas em volume elevado, mesmo às 15h, podem gerar reclamações se atrapalharem a tranquilidade de vizinhos.
Ou seja, independentemente do horário, o respeito ao próximo continua válido, e a lei garante mecanismos para coibir abusos.
Leia também: 7 dicas para morar sozinho: veja como se planejar
O que acontece com quem desrespeita a Lei do Silêncio?
Conforme a Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/1941, artigo 42): “Qualquer cidadão que perturbe o trabalho ou sossego alheio está sujeito ao pagamento de multa ou reclusão de 15 dias a três meses”. No entanto, as consequências podem variar entre municípios e dependem da gravidade da infração.
Veja a lista de possíveis punições:
- advertência: geralmente se aplica em condomínios, como medida inicial;
- multa condominial: o morador que descumpre as regras pode receber penalidades previstas no regimento interno.
- multa administrativa: prefeituras ou órgãos ambientais podem impor quando os níveis de ruído ultrapassam os permitidos;
- ação judicial: o vizinho prejudicado pode recorrer à Justiça para exigir indenização por danos morais ou materiais;
- enquadramento criminal: prisão simples ou multa. Geralmente ocorre quando o problema persiste ou a agitação causa grave perturbação coletiva, como festas clandestinas, bares sem licença ou som automotivo.
Portanto, é importante conhecer as normas que a prefeitura da sua cidade estabelece, além de ler atentamente a convenção de condomínio do seu prédio.
Além de saber que existe horário de barulho permitido e o que acontece com quem desrespeita a Lei do Silêncio, você precisa entender o que são decibéis.
O que são decibéis?
Os decibéis (dB) são uma unidade que mede a intensidade de sons, como volume ou altura. Quanto maior o pico da onda sonora, mais potente é o áudio e a quantidade de decibéis. Por exemplo, uma conversa normal gera cerca de 60 dB, enquanto um show pode ultrapassar 100 dB.
Além de orientar a aplicação de normas de silêncio, esse parâmetro é fundamental para proteger a saúde e o bem-estar das pessoas, já que sons excessivos podem causar perda auditiva, estresse ou distúrbios do sono.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a longa exposição a níveis de ruído acima de 75 decibéis é prejudicial à audição humana.
Para entender melhor, veja alguns exemplos do dia a dia e seus ruídos em decibéis:
- torneira gotejando (20 dB);
- ondas do mar (48 dB);
- choro de criança (50 dB);
- televisão (70 dB);
- despertador de campainha (80 dB);
- secador de cabelo (90 dB);
- britadeira (110 dB);
- motocicleta em alta velocidade (110 dB);
- avião decolando (120 dB);
- primeira fila de um show de rock (120 dB);
- caixa de som (130 dB).
Ficou mais fácil de entender? Então descubra, a seguir, os níveis permitidos por lei e por região.
Qual o nível de decibéis permitido por lei?
A ABNT NBR 10.151/2000 estabelece limites de ruído para diferentes ambientes. Em áreas residenciais, o padrão proíbe sons acima de 55 decibéis no período diurno (entre 7h e 20h), e 50 decibéis à noite até o amanhecer. Porém, cada município pode adaptar esses valores conforme as necessidades locais.
Sendo assim, é importante verificar as normas vigentes onde você e a sua família pretendem morar, já que cada cidade pode adotar parâmetros próprios para definir o que é considerado excesso de barulho.
Quais são os níveis de decibéis permitidos por região?
Confira os limites por região:
- São Paulo: áreas residenciais permitem até 50 decibéis das 7h às 22h, e 45 dB no restante do período;
- Rio de Janeiro: o patamar é de 50 dB, entretanto, pode alcançar 65 dB em áreas mistas;
- Porto Alegre: 55 decibéis das 7h às 20h, e 50 dB fora desse horário;
- Fortaleza: 70 dB das 6h às 22h, e 60 dB à noite;
- Curitiba: 50 decibéis das 7h às 19h. Depois, não deve exceder 45 dB.
Qual a diferença entre perturbação do sossego e poluição sonora?
A perturbação do sossego é um conceito jurídico previsto na Lei de Contravenções Penais, que se refere a barulhos que incomodam diretamente vizinhos ou pessoas próximas, independentemente da intensidade. Já a poluição sonora envolve excesso de ruído mensurável (por decibéis), que afeta comunidades e o ecossistema.
Essa segunda tem caráter mais amplo, já que lida com saúde pública e fiscalização ambiental. Engloba sons contínuos, tráfego intenso, indústrias e casas de shows, por exemplo. São situações e espaços que exigem isolamento acústico eficiente e regulamentações urbanísticas.
Já a perturbação em vizinhanças e condomínios é mais pontual e subjetiva, pois são casos isolados resolvidos por mediação, advertências ou pequenas sanções.
Pode fazer barulho em apartamento?
Ruídos em apartamentos podem acontecer caso respeitem o período de silêncio da cidade e do prédio. É importante ter cuidado extra: as construções, especialmente as mais antigas, muitas vezes não têm isolamento acústico adequado, o que faz com que até pequenos sons se propaguem entre unidades.
Assim, ruídos excessivos podem resultar em consequências legais, independentemente do horário.
Além de seguir a lei vigente, é fundamental ter bom senso e respeitar o sossego alheio. Dessa forma, é possível conviver em harmonia com os vizinhos, evitar conflitos e penalidades.
A seguir, entenda o que é a Lei do Silêncio em condomínios e como funciona.
Como a Lei do Silêncio se aplica em condomínios?
Nos condomínios, a aplicação das normas de silêncio se dá de duas formas: pela legislação geral e pelo regimento interno. Cada prédio pode estabelecer regras específicas de convivência e vizinhos incomodados podem tomar medidas para resolver a situação caso haja barulho em excesso e fora de horário.
Normalmente, as regras definem:
- horários de silêncio mais rígidos;
- limites para reformas e mudanças;
- penalidades para moradores com infrações frequentes.
Alguns exemplos de agitação sonora em excesso são:
- gritaria e algazarra;
- música muito alta, especialmente à noite;
- uso de ferramentas e eletrodomésticos ruidosos;
- excesso de atividades ruidosas, como ensaios musicais em casa;
- abuso de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
- quando o tutor não consegue impedir latidos altos constantes.
Ou seja, ao realizar festas, obras ou chamar toda a família para uma sessão de cinema em casa, é essencial respeitar o limite de decibéis estipulado pela lei.
Até que horas pode ouvir música alta no condomínio?
De modo geral, é possível reproduzir música alta no seu apê até às 22h. Após esse horário, qualquer volume que incomode os vizinhos pode gerar reclamações. Independentemente do horário, é importante ser razoável. Se o vizinho consegue ouvir claramente a música dentro de sua casa, significa que está alta demais.
Além disso, você pode comunicar o síndico nessas situações, a fim de tirar dúvidas e evitar qualquer tipo de confusão desnecessária.
Leia também: Como é morar em condomínio residencial?
Qual o papel do síndico na aplicação da Lei do Silêncio?
O síndico é o responsável por responder rapidamente a qualquer reclamação de barulho no condomínio. Seu trabalho é resolver o problema de forma pacífica e mediar a conversa entre os vizinhos envolvidos. Caso o “acusado” persista no comportamento, pode multar e até acionar a polícia.
Tanto o síndico quanto a administradora do prédio têm autorização para dar sequência da seguinte forma:
- Avisar o causador do barulho;
- Fazer uma advertência assinada (se o ruído continuar);
- Envolver a Polícia Civil (caso a solução interna não solucione a questão).
Assim, em situações extremas, pode-se registrar um Boletim de Ocorrência e solicitar as ações adequadas no âmbito penal.
Dessa forma, os fiscalizadores protegem o sossego dos moradores e evitam que conflitos se agravem ou que punições mais sérias se tornem necessárias.
Quando o síndico deve intervir em reclamações de barulho?
O síndico pode atuar em qualquer uma das seguintes situações:
- barulhos excessivos recorrentes;
- reclamações constantes de mais um morador;
- indícios recorrentes de falta de cuidado com tom de voz;
- festas frequentes com som alto;
- obras ou reformas fora do período permitido;
- conflitos entre vizinhos motivados por som ou ruído.
Como denunciar barulho excessivo na vizinhança?
Siga o passo a passo:
- Converse com o vizinho: em muitos casos, diálogo pode resolver;
- Notifique o síndico: peça para registrar a reclamação;
- Contate a administradora condominial: se o problema persistir;
- Registre o barulho: com áudios e vídeos para ter provas;
- Acione a polícia: em casos graves, podem solicitar a redução do som ou multar os responsáveis;
- Procure um advogado: para uma ação judicial de indenização por danos morais ou para o juiz determinar o fim da perturbação.
Se a situação for recorrente, prefira registrar uma ocorrência online na Polícia Civil ou usar o aplicativo 190 do seu estado para agilizar o atendimento e liberar a linha telefônica para emergências graves.
Já para denúncias na Guarda Civil Municipal, ligue 153.
Quais são as melhores dicas para não desrespeitar a Lei do Silêncio?
Algumas dicas que ajudam no controle do ruído no dia a dia são:
- Não ligue o som alto demais;
- Tenha cuidado com as conversas em tom de voz elevado;
- Evite festas muito barulhentas;
- Faça reformas em horários adequados conforme a região;
- Evite faxina em horários inapropriados.
Entenda cada ponto!
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1. Não ligue o som alto demais
Mantenha um volume moderado para não incomodar os vizinhos, mesmo se o barulho for durante o dia. Mas, é claro, não deixe de se divertir em momentos de lazer com as suas músicas favoritas!
2. Tenha cuidado com as conversas em tom de voz elevado
Às vezes, nos empolgamos com as visitas e batemos papo mais animados, o que está tudo bem! Porém, caso o horário de descanso se aproxime, diminua o tom da conversa para não atrapalhar a tranquilidade dos vizinhos.
3. Evite festas barulhentas
Você já sabe até que horas pode ouvir música alta no condomínio. Respeite o período de silêncio e aproveite sua festa sem maiores preocupações. Basta reduzir o volume e o tom de voz à noite.
4. Faça reformas em horários adequados
Precisa fazer uma obra no banheiro? Ou vai reformar a cozinha? Confirme com o seu síndico qual é o horário limite para os prestadores trabalharem, já que essa diretriz varia conforme a localização.
5. Evite faxina em horários inapropriados
Quem nunca teve vontade de limpar e organizar as coisas nos horários mais aleatórios do dia, não é? Porém, tome cuidado para não exagerar no barulho e incomodar os vizinhos, principalmente com o som do aspirador de pó e outros eletrodomésticos.
Guia completo de como cumprir a Lei do Silêncio em condomínio
A Lei do Silêncio pode parecer complexa em condomínios. Para ajudá-lo cumprir as regras, confira esse guia super explicativo com os principais pontos deste guia.


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Saber quais são os limites legais, entender como funciona a fiscalização e respeitar as regras de convivência é a melhor forma de evitar problemas.
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