Os construtores brasileiros ficaram satisfeitos com o pacote habitacional lançado ontem, mas não disfarçam a apreensão com a capacidade de sinergia entre os atores envolvidos. Sem a atuação coordenada dos governos federal,estaduais e municipais, a Caixa Econômica Federal, os cartórios e os órgãos de licenciamento ambiental, os empresários temem que o pacote não seja bem-sucedido. Os ingredientes para ele dar certo, porém, estão presentes.
O conjunto do pacote é abrangente, os gargalos foram atacados e há recursos suficientes.Mas será preciso uma sinergia.
Hoje o licenciamento ambiental é um dos grandes entraves afirmou Roberto Senna, presidente da Bairro Novo, empresa do Grupo Odebrecht.
Um dos principais articuladores do pacote, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady, lembrou que o momento é histórico para a indústria da construção e que traduz muito do que o setor vinha defendendo.
Ele alerta, porém, que outro desafio para o plano dar certo é ter terras suficientes para construir as casas: A União tem terrenos suficientes e os estados e municípios também deverão contribuir.
Esse não deverá ser um problema para a Construtora Tenda, voltada ao público de quatro a dez salários mínimos.
Segundo seu presidente, Carlos Trostli, seu estoque de terrenos é suficiente para erguer 54 mil unidades nos próximos anos, atendendo parte do público do programa do governo.
Para Trostli, o plano é capaz de transformar o setor, mas é fundamental manter a interação entre empresas e governo: O pacote funciona e tem de ser operacionalizado pelo governo e pela iniciativa privada. Não existem soluções espontâneas.

Fonte: O Globo

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